Os Enamorados
História de Os Enamorados do tarot: a sua origem como cena de cortejo nos baralhos italianos, a escolha Marselha entre duas mulheres, e o Jardim do Éden Rider-Waite-Smith.

Etimologia e Nome
O italiano 'Gli Amanti' significa 'os enamorados'. A carta foi também chamada 'L'Amore' (o Amor) nas fontes antigas. A forma plural já sinaliza que o trunfo versa sobre relacionamento e escolha, e não sobre um único sentimento romântico.
Imagéria Antiga
No baralho Visconti-Sforza, um Cupido alado aponta uma flecha a um jovem que contempla uma mulher — uma cena de amor cortês direta. A tradição Marselha complica-a: um jovem está entre duas mulheres enquanto uma figura alada preside por cima. A carta tornou-se alegoria moral da escolha, frequentemente lida como decisão entre virtude e desejo.
Design Rider-Waite-Smith
Smith recriou a cena como o Jardim do Éden. Um homem e uma mulher nus estão sob um sol alado e o arcanjo Rafael; atrás do homem ergue-se a Árvore da Vida com doze frutos de chama, e atrás da mulher a Árvore do Conhecimento com uma serpente enrolada. A carta torna-se casamento sagrado em vez de dilema moral.
Simbolismo Chave
O anjo Rafael abençoa a união; o sol por cima significa revelação. As duas árvores representam os polos da vida imortal e do conhecimento do bem e do mal, e a serpente denota a necessidade do desejo e do discernimento. Os Enamorados significam agora união consciente — a integração dos opostos no amor, na escolha e no compromisso.
Entre Tradições
Os Enamorados de Marselha é uma cena de escolha — o jovem tem de decidir entre duas figuras, muitas vezes interpretadas como Vício e Virtude. Waite deslocou o sentido para união sagrada e relacionamento. No baralho Thoth, Crowley enquadra a carta como a 'coniunctio' alquímica, o casamento sagrado dos opostos, e liga-a a Gémeos e ao mito de Orfeu.
Contexto Cultural
A carta bebe no amor cortês, no Jardim do Éden e nas bodas alquímicas. Astrologicamente corresponde a Gémeos, significando dualidade e união. Como trunfo número 6, marca o primeiro encontro com o relacionamento e as decisões do coração que se seguem ao estabelecimento do ego nos trunfos anteriores.