Luna
História do Tarot
Carta 20

O Julgamento

História de O Julgamento do tarot: desde Il Giudizio e a imagem do Juízo Final até ao arcanjo Gabriel Rider-Waite-Smith, e o Aeon de Horus de Crowley.

O Julgamento
ItalianoIl Giudizio
FrancêsLe Jugement

Etimologia e Nome

Do latim 'iudicium' (julgamento). As fontes italianas antigas chamam também à carta 'L'Angelo' (o anjo) ou 'La Tromba' (a trombeta), nomeando-a pelo seu elemento mais marcante. A imagem é retirada diretamente do Juízo Final cristão.

Imagéria Antiga

Desde a tradição Marselha, um anjo toca a trombeta no céu enquanto os mortos ressuscitam dos seus túmulos por baixo, braços erguidos. A imagem é o Juízo Final cristão em miniatura, retirado dos tímpanos das catedrais e da iluminura de manuscritos, sem necessidade de chave esotérica para ser lida.

Design Rider-Waite-Smith

Smith nomeou o anjo Gabriel e deu-lhe uma trombeta dourada de onde pende uma bandeira branca com cruz vermelha — o estandarte da ressurreição. Três figuras de pele cinzenta — um homem, uma mulher e uma criança — erguem-se de túmulos semelhantes a caixões, braços estendidos. Montanhas nevadas e um mar gelado estendem-se por trás deles.

Simbolismo Chave

A trombeta de Gabriel é o chamamento irrevogável ao despertar; a bandeira branca com a cruz vermelha é a ressurreição e a união do espírito com a matéria. As três figuras ressuscitadas são o consciente, o inconsciente e a criança interior, chamados juntos. A pele cinzenta marca-as como mortos — o velho eu a ser deixado para trás. O Julgamento é o chamamento a uma vida nova que se segue à iluminação do Sol.

Entre Tradições

As imagens de Marselha e de Waite são estruturalmente semelhantes, com Smith a enriquecer a cor e o estandarte. O afastamento maior é o de Crowley: no baralho Thoth, ele renomeia a carta 'The Aeon' e substitui o Juízo Final pela visão thelémica da deusa Nut arqueada sobre o céu, do disco alado Hadit ao centro e da criança Hórus dentro de um ovo de luz — a passagem do 'Aeon de Osíris' (sacrifício) ao 'Aeon de Hórus' (soberania).

Contexto Cultural

A carta inspira-se no Juízo Final cristão, na ressurreição egípcia de Osíris e no rito de renascimento das escolas de mistérios. Em termos junguianos, é a fase final da individuação — o chamamento para deixar o velho eu no túmulo. Como trunfo número 20, é o despertar penúltimo que prepara a totalidade do Mundo.

Significado da Carta